Nova IA desenvolvida pela Meta, do Facebook, identifica pessoas através de Wi-Fi

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 23 de Janeiro de 2023 às 16h30

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Se você já pensa estar sendo monitorado o tempo inteiro pela câmera e microfone do celular, saiba que a tecnologia está bolando uma nova maneira à lá 1984, de George Orwell, mas com um tipo indireto de detecção — via Wi-Fi. Responsável pela pesquisa está a Meta, companhia famosa por ser dona do Facebook, que usou inteligência artificial (IA) para utilizar a internet sem fio como uma espécie de radar ou ecolocalizador.

O método, batizado de DensePose, combina o aprendizado de máquina com arquitetura e sinais de Wi-Fi para escanear 24 diferentes pontos do corpo, retornando uma imagem dos seres humanos detectados. Segundo a própria Meta, a ferramente seria uma maneira em tempo real do Facebook para mapear pixels humanos em 2D e converter a informação em um modelo 3D, se baseando na superfície do corpo.

Privacidade e polêmicas

De código aberto, o DensePose gera uma silhueta das pessoas detectadas, decodificada computacionalmente a partir da fase e amplitude dos sinais de internet sem fio. Vale lembrar que as coordenadas UV geram, na verdade, uma estimativa da pose humana no momento de detecção, o que, embora consiga um desempenho próximo a métodos baseados em imagem, não é a mesma coisa.

Segundo os pesquisadores, o custo baixo, acessibilidade e privacidade seriam as grandes vantagens do sistema. Usa-se o termo "privacidade" porque o sinal não detecta rostos ou imagens das pessoas, mesmo que gere uma aproximação do corpo. Outros métodos de escaneamento espacial, como o LiDAR, se baseiam em imagens e são muito mais onerosos.

A iniciativa é mais uma a figurar no rol de pesquisa e desenvolvimento utilizando IA, que trouxe coisas como o ChatGPT, gerador de texto com aprendizado de máquina, e o Lensa, modificador e gerador de fotos. Como se baseiam na coleta de informações dos usuários, as tecnologias têm sido alvo de debates tanto pelos consumidores quanto pelos cientistas, levantando questões de privacidade, invasão de dados e monitoramento indevido. O DensePose, igualmente, não deve escapar do escrutínio e das polêmicas.

Não há como saber quando a ferramenta chegará ao uso comercial ou generalizado pelas empresas, como as que trouxeram os aplicativos e sites mencionados acima. A Meta, no entanto, já trabalha com o desenvolvimento da tecnologia desde 2018.

Fonte: arXiv