O que é o ecossistema Apple? Existe alguma alternativa?

Por Bruno Bertonzin | Editado por Léo Müller | 30 de Novembro de 2022 às 16h18

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Você provavelmente já deve ter ouvido ou lido alguma marca exaltando seu ecossistema — seja a Apple, a Samsung ou até mesmo chinesas, como a Huawei. Mas ao que essas empresas se referem quando falam disso? O que é um ecossistema dentro do universo da tecnologia?

De forma mais simples e direta, um ecossistema no mundo tech é quando as companhias lançam vários tipos de aparelhos — como celulares, tablets, relógios inteligentes e fones de ouvido — e esses dispositivos “conversam” entre si, em vez de simplesmente cada um fazer seu trabalho de forma individual.

Um ecossistema bem desenvolvido deve, na prática, fazer com que todos os seus aparelhos sejam bem integrados e tenham seus recursos ligados em tempo real.

Como funciona um ecossistema?

Apesar de eu ter citado três empresas que têm um ecossistema mais encorpado, a Apple é a que mais se destaca neste assunto. A marca, afinal, lança vários tipos de aparelhos em seu portfólio, e eles se comunicam muito bem entre si.

Usando o exemplo da Maçã, em seu ecossistema é possível usar o iPhone, iPad, MacBook, Apple Watch e AirPod — ou outros dispositivos Apple —, por exemplo, como se fosse uma única coisa ligada direto pelo Apple ID — a conta padrão dos aparelhos da marca. Os fones de ouvido, por exemplo, funcionam em qualquer aparelho da marca e de uma só vez.

Aqui, pareei um AirPods 3 ao iPhone, iPad, Apple Watch e Mac Mini pude alternar a reprodução entre eles sem qualquer tipo de delay na troca. Quando eu pauso uma música no iPhone e começo um vídeo no iPad, o som dos vestíveis troca automaticamente e de forma imediata para a fonte correta.

Outro bom exemplo é da internet, que pode ser roteada de forma simples entre o iPhone e o iPad ou MacBook. Não é necessário ativar nenhuma opção — se você estiver conectado à rede móvel no celular, basta abrir as conexões de Wi-Fi no tablet ou no notebook para conectar à internet do smartphone. Em aparelhos de outras marcas, você teria que ativar o roteamento nas configurações do celular e, só depois, ir para o tablet ou computador para digitar uma senha antes de se conectar.

Para isso, é claro, todos devem estar logados na mesma Apple ID, e isso ajuda a manter a segurança do usuário. Afinal, não é qualquer pessoa com um iPhone que poderá se conectar à internet da sua rede.

Só a Apple possui um ecossistema tão completo?

Por enquanto, a fabricante de Cupertino é a que mais se destaca quando falamos de ecossistema. Seu portfólio é robusto, e todos os produtos da Apple são bem integrados. No entanto, ela não é a única a oferecer algo do tipo.

A Samsung, por exemplo, é outra empresa que caminha bem para oferecer um conjunto de aparelhos com boa integração. Com smartphones e tablets Galaxy bem atrativos — além de relógios inteligentes e fones de ouvido — lançados a cada ano, a sul-coreana tem tudo para chegar perto do ecossistema da rival.

Atualmente, os tablets e celulares, por exemplo, já se comunicam perfeitamente entre si. Quando você abre uma anotação no Samsung Notes em um smartphone e depois pega um Galaxy Tab S8, por exemplo, é possível continuar o trabalho na hora, para começar a escrever ou fazer rascunhos com a S Pen — a caneta digital da empresa.

Outro ponto que acho interessante, ainda falando da integração entre Galaxy Tab e celular, é que você pode copiar um texto no smartphone e depois colar diretamente em um arquivo ou mensageiro no tablet.

Os fones de ouvido da linha Galaxy Buds também oferecem uma boa alternância quando você quer usá-los no tablet e no celular, mas é importante frisar que a Apple ainda faz um trabalho melhor neste aspecto.

Assim como acontece com a Apple, no entanto, para aproveitar essa integração do ecossistema Galaxy, é preciso que os dois — ou mais — aparelhos estejam com a mesma conta Samsung cadastrada. Ou seja, não basta usar apenas a conta do Google — que é universal para qualquer celular Android.

Mas, afinal, por que usar aparelhos de uma mesma marca?

O principal motivo para só usar dispositivos móveis da mesma marca é que você poderá aproveitar uma integração melhor entre os dispositivos e ter recursos que você perderia se comprasse um celular de uma marca, um tablet de outra e por aí vai.

No entanto, há outro fator importante a se considerar: o aproveitamento completo das funções que um dispositivo pode oferecer. Se você estiver considerando se manter em um ecossistema Android e quiser comprar um relógio ou fone de ouvido da Samsung, por exemplo, saiba que eles podem não ter todas as funções se seu celular também não for da sul-coreana.

O Galaxy Watch 4 — primeiro celular da marca com Wear OS — é um excelente dispositivo e permite ter um controle enorme dos seus dados de saúde. No entanto, eles não funcionam com todos os recursos se você tem um smartphone de outra empresa — o que te “obriga” a usar o ecossistema Samsung.

O smartwatch, por exemplo, não pode realizar os monitoramentos de ECG ou pressão arterial disponíveis de forma nativa no vestível. Já os fones como Galaxy Buds 2 e Galaxy Buds Live ganharam um recurso bem interessante em uma de suas últimas atualizações, que é o Áudio 360. A função, porém, só funciona se o fone estiver pareado com um Galaxy.